Rounders

meteorologia: calor abafado…
pecado da gula:cheeseburguer
teor alcoolico: cerveja Dado Bier (tks Pão de Açúcar!)
audio: r.e.m.
video: era do gelo 3

Rounders, direção John Dahl

Um estudante de Direito, ex-jogador de poker (se é que isso existe), precisa voltar à ativa para ajudar um amigo de infância, ex-detento, a pagar dívidas de jogo. Descrito assim, o enredo parece o de mais um daqueles filmes mornos de sessão da tarde. Mais um daqueles filmes em que o público acompanha divertido as peripécias de uma dupla de trapaceiros. Acredito que para os leigos em poker deve parecer isso mesmo. Mas para quem joga, mesmo que apenas por diversão, esse é “O” filme de poker por excelência. Parafraseando o Jovem Nerd, “minha cabeça explodiu!”.

Tecnicamente, o filme não é nenhum primor de qualidade. O roteiro é rico em detalhes relativos ao jogo, e tem alguns diálogos interessantes. No mais, o filme é medíocre, no sentido literal da palavra. Fotografia mais ou menos. Elenco idem, exceção feita a John Malkovich, excelente independente do papel, e Peter Norton, que quase consegue deixar seu personagem simpático, apesar da chatice crônica de suas atitudes. Direção mais ou menos também. Aliás, o diretor, pouco expressivo no meio cinematográfico, poderia ao menos ter impresso no filme um pouco da dinâmica e energia dos episódios das séries de TV que ele eventualmente dirige, Dexter, Californication ou True Blood (vampiros, arghhh, mas a canção-tema é ótima).

Para os não-envolvidos nesta modalidade de jogo de cartas, a crítica termina aqui. Para os “iniciados”, o filme é um prato cheio. O vocabulário do jogo, frases de efeito que todo jogador já ouviu alguma vez (“Se você não for capaz de descobrir quem é o pato da mesa depois de meia hora de jogatina, é porque o pato é você”), os meandros dos clubes de jogos da cidade, a facilidade em limpar os menos aficcionados.

Mas a melhor “sacada” do filme, e o que atrai mais a atenção de quem está de alguma forma ligado ao poker, é o confronto, às vezes direto, das maneiras de se encarar o jogo. Knish, personagem de John Turturro, faz do poker seu ganha-pão, sustenta sua família e paga suas contas. Encara o jogo como profissão e, por conta disso, arrisca-se pouco. Atem-se a jogar nos limites a que está habituado e nos quais tornou-se lucrativo, sem pensar em “subir de nível”, simplesmente evitando o risco que advem disso. Mike (Matt Damon) também vê o poker como fonte de renda, mas não o encara da mesma forma. Não se vê saindo para trabalhar (jogar) todos os dias da mesma maneira apenas para garantir seu sustento. Seu sonho é ganhar um bracelete num dos maiores torneios de poker do mundo. Quer se tornar famoso fazendo o que mais gosta, aliás, fazendo a única coisa que sabe bem, jogar poker. Muito boa a cena em que ele, em apenas alguns momentos observando o jogo de um grupo de juízes e advogados, consegue dizer precisamente o que cada um deles tem na mão. É sua segunda natureza, para ele é como respirar. Por outro lado, Worm (Peter Norton) encara o jogo apenas como mais uma forma de ganhar dinheiro, não importa como. Se para Mike, o importante é sua habilidade para ganhar fazendo com que a sorte seja sobrepujada pela estratégia; para Worm, o que importa é vencer, mesmo que seja trapaceando. Ele sim é o trapaceiro, só sabe jogar (e ganhar) utilizando-se de truques mecânicos e o faz tacitamente mesmo em situações em que sabe que sua vida estará em jogo caso seja pego (como na cena do jogo com os policiais).


O leigo deve assitir para entender que sorte é o que menos importa para se ganhar no poker.
E os jogadores, bem… assim como a trilogia de Dan Harrington é leitura quase obrigatória, este filme tem de estar na top 10 list de todo jogador.

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