O leitor

meteorologia: que calor!!!
pecado da gula: pão francês na chapa
teor alcoolico: várias itaipavas pra suportar o calor
audio: chico buarque
video: a troca

O leitor, direção Stephen Daldry
Apesar de ter lido o livro antes de assistir ao filme, foi-me impossível imaginar os personagens diferentes dos atores, pois já havia visto o cartaz, o trailer e até alguns trechos. Inicialmente frustrada por não poder modelar os personagens na minha mente, como em outras ocasiões em que o filme me foi apresentado antes do livro, devo admitir que não houve perda pois Kate Winslet “é” Hanna, sem qualquer exagero.


O roteirista, que já havia feito parceria com Daldry no excelente “As horas”, conseguiu efetuar uma adaptação bem fiel à obra original. E o diretor conseguiu transpor a estória para a película com bastante competência. A fidelidade foi tanta, que em vários momentos do filme, tive a nítida impressão de estar lendo (e ao mesmo tempo visualizando) um parágrafo do livro. Sem grandes floreios ou liberdades criativas, a simplicidade da obra foi seguida à risca no filme, sendo extremamente difícil tecer comentários que não remetam ao texto de Schlink.
Excelente ambientação cenográfica e ótima direção de fotografia, apesar de alguns deslizes em algumas cenas, filmadas com excesso de lirismo e/ou glamour que simplesmente não se encaixam no contexto. 



Não basta uma obra literária premiada, um roteiro adaptado com maestria e um diretor competente para garantir que o filme tenha qualidade comparável à obra original. Se o elenco não contribuir favoravelmente, não há o que salve. E neste caso, o elenco está excelente.
Começando pelo ator iniciante, David Kross, que interpreta Michael Berg quando jovem. Selecionado para o papel ainda com 17 anos, revela-se uma grata surpresa, dando ao personagem o necessário frescor do adolescente de 15 anos descobrindo as nuances do sexo, da paixão, do amor. E ganha profundidade ao representá-lo aos 22, prestes a formar-se em Direito, introspectivo, distanciado de seus iguais, incapaz de se desvencilhar da decepção amorosa sofrida na adolescência. O que nos garante fácil identificação com sua versão adulta, Ralph Fiennes, em ótima atuação também, apesar de parecer extremamente contida e sistemática. É apenas aparência, a sensibilidade de Fiennes consegue nos dar a exata medida da transformação sofrida pelo jovem Berg, após os eventos ocorridos durante o julgamento de Hanna.



Finalmente, Kate Winslet. Os comentários que eu havia lido e ouvido confirmaram-se plenamente. Ela está simplesmente fantástica. O filme não seria o que é se não fosse por sua presença. Totalmente merecida a indicação ao Oscar por sua atuação. Deixando o glamour de lado, surgindo em cena com as axilas não depiladas, seu despreendimento ao encarar as cenas de nudez, sua capacidade de transmitir num gesto, num olhar cada sentimento oculto na dureza de sua personagem, sua entrega integral ao papel a confirmam como uma das melhores atrizes da sua geração.
Enfim, um filme à altura do livro.

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