Iris

meteorologia: chuva que não pára
pecado da gula: pizza amanhecida
teor alcoolico: nada ainda
audio: nerdcast #249

“There is only one freedom of any importance, freedom of the mind.” (Iris Murdoch)

Iris, direção de Richard Eyre

Não tinha intenção de fazer um post sobre este filme. Ao terminar de assisti-lo, achei que não valia a pena. Mas discorri tanto (*) sobre ele durante a semana que, por fim, pareceu merecedor de um comentário um pouco mais extenso do que o deixado no GetGlue.

Gosto muito de Judi Dench, ou melhor, Dame Judi Dench. Suas atuações são sempre concisas e bastante envolventes – quando o filme o demanda, lógico (“The Chronicles of Riddick” e os da série 007 certamente não contam). Aliás, todo o elenco está excelente. Judi Dench e Kate Winslet como Iris Murdoch. Jim Broadbent e Hugh Bonneville, como John Bayley (marido de Iris). O maior mérito das atrizes é conseguir convencer o público de que ambas são a mesma pessoa. E mesmo não havendo semelhança física entre as duas, elas o conseguem com maestria.

O filme alterna entre a juventude de Iris Murdoch e o momento em que começam a surgir os primeiros sintomas do Alzheimer. Apesar de as idas e vindas no tempo serem excessivas e contribuirem para o filme ser menos atraente, o contraste entre a persona nessas duas fases é o que prende o expectador.

A decadência causada pelo Alzheimer incomoda não só pela doença em si. Mas, no caso da autora, por privá-la de algo tão caro a ela desde a juventude: o uso da palavra. É extremamente aflitivo vê-la perder-se em tentativas frustradas de continuar fazendo o que dava sentido à sua vida, transformar ideias em palavras. Para quem gosta de escrever (como eu) e tem apreço pelo uso da palavra, essa situação deflagra uma agonia difícil de descrever.

Enfim, é um ótimo exemplo de como o “capital humano” faz diferença. Não é um grande filme. O roteiro não é excepcional, os cenários não são grandiosos, a trilha sonora não é memorável, a direção fica muito, muito aquém da originalidade, não tem efeitos especiais mirabolantes. Mas só a atuação do elenco já vale a experiência de assisti-lo.

(*) Agradecimentos especiais ao feliz proprietário da orelha que foi feita de repositório dos meus comentários.

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