12 Angry men

meteorologia: ah, chuva não…
pecado da gula: banana chips
teor alcoolico: 2 smirnoff ice
audio: add #824

“It’s always difficult to keep personal prejudice out of a thing like this. And wherever you run into it, prejudice always obscures the truth. I don’t really know what the truth is. I don’t suppose anybody will ever really know.” (juror #8)

12 angry men“, direção Sidney Lumet

Tinha começado a escrever este post há algum tempo e, junto a mais alguns outros, ficou inacabado. Com o falecimento de Lumet, achei que seria um boa hora para sentar e terminá-lo.

Filme de estréia de Lumet, é mais um exemplo de um diretor em início de carreira cujo primeiro filme é um trabalho extremamente primoroso, quase beirando a perfeição. Pelo formato do filme, não resta dúvida que seja a adaptação de uma peça de teatro. Todo ele se passa num único cenário: uma sala, uma mesa, doze cadeiras, um bebedouro, um banheiro. Contrariando as expectativas, não se trata apenas de uma peça encenada e filmada. O filme é muito mais que isso. Consegue ser denso e intenso o suficiente para prender a atenção do expectador do começo ao fim.

Como boa parte dos grandes filmes, não há nada de rocambolesco no enredo, o mote é extremamente simples. Doze jurados devem decidir sobe a culpa ou não de um réu acusado de assassinato, sob pena de morte. Onze deles têm certeza absoluta de que ele é culpado e rapidamente votam pela condenação. Mas um deles, o jurado número 8 (Henry Fonda, sempre notável), não acredita plenamente na sua inocência, mas também não o acha culpado. E, para o veredito final, a votação deve ser unânime. Não há 11 votos a 1. É tudo ou nada. Não há meio termo.

O que se segue é o embate verbal de um contra onze, decidido a reanalisar os fatos, pois o que está em jogo é a vida de um jovem. O filme não é longo, apenas 96 minutos. E nem precisa. É tempo suficiente para revelar as características de cada jurado durante as discussões sobre o caso. Aliás, o fato de o réu ser inocente (ou não) é apenas o Mcguffin do filme. O debate entre o jurado número 8 e os demais é a deixa para questionar se o destino de um homem pode ser definido por seus semelhantes apenas baseado em evidências circunstanciais.

Como um microcosmos, o grupo é bem diversificado (exceto pela ausência de mulheres), composto por indivíduos de várias idades, profissões e situações sociais e econômicas. Interessante notar que nenhum deles têm nome, todos eles são identificados como jurado número 1, número 2 e assim por diante. Apenas a identidade de dois deles é estabelecida, pouco antes do final. Ao se despedirem, o jurado número 8 apresenta-se como Sr.Davis e o número 9 como Sr.McCardle. Durante todo o evento, cada um deles é identificado por sua profissão ou pelo trabalho que exercem: arquiteto, pintor, treinador de futebol, bancário, etc. Percebe-se também, no decorrer do filme, a diversidade de personalidades. Há o tímido, o intelectual, o imigrante, o humilde, etc. E os detalhes da personalidade de cada um é desnudade à medida que o filme avança, enquanto o jurado número 8 tenta destrinchar o que realmente ocorreu.

A batalha psicológica empreendida pelo jurado número 8 é o que garante toda a tensão durante o filme. Tensão garantida e intensificada pelo clima claustrofóbico do cenário. Inicialmente atacado por todos os demais, que acreditam na culpa do réu, ele aparentemente é o único interessado em entender exatamente o que houve para poder dar seu parecer de acordo. E não simplesmente basear-se em pré-conceitos e impressões sobre a natureza do caso. O roteiro mostra toda a sua força e qualidade na argumentação meticulosa do jurado número 8. Ele parte da premissa de que tudo depende da maneira como se observam os fatos. Questionando cada detalhe dos autos, cada afirmação das testemunhas, seu intuito é garantir que cada um deles isoladamente corrobore os demais. Qualquer discrepância abrindo margem à dúvida.

É uma obra-prima. Todo amante de cinema precisa assistir, assim como estudantes de Direito, pois é uma aula magistral de argumentação e negociação.
Eu recomendo.

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