The artist

The artist (2011) – O artista
roteiro e direção: Michel Hazanavicius
4 out of 5 stars

Não fosse por suas características pouco usuais, sobre as quais já discorrerei, possivelmente este filme não figuraria sequer na lista que precede aquela dos indicados ao Oscar – ou a qualquer outra grande premiação, Globo de Ouro, Bafta, Palma de Ouro, etc. E também é quase certo que não teria chegado ao conhecimento da maioria do público, nem seria exibidos nas grandes redes de cinema.

Em tempos de computação gráfica, personagens “virtuais”, filmagens em 3D, este filme é um retorno aos primórdios: é em preto-e-branco e mudo (ou quase). Por si só, essas características seriam suficientes para chamar a atenção. Mas não o bastante para garantir tantas indicações e prêmios. Não há como negar, apesar da resistência inicial ao estilo incomum, o espectador sai do cinema com a certeza de que o filme é bom. Roger Ebert captou muito bem, como sempre, essa sensação. Em seu comentário, afirma que foi assistir três vezes ao filme. E, em todas, o público aplaudiu ao término da sessão, talvez por estar surpreso por ter gostado tanto.

the artist

Minha vontade de ir ao cinema assisti-lo não se deveu (apenas) ao fato de ter sido tão elogiado e premiado. Foi a experiência que me atraiu. Eu nunca tinha ido ao cinema para assistir a um filme mudo. E acreditava que valia a pena vivenciar algo assim e entender como era antigamente. E não me arrependi. A experiência realmente valeu a pena.

Não há como assistir e não lembrar de Singin’ in the rain. Além da similaridade das estórias – ambas tratando da transição do cinema mudo para o falado – há a semelhança física, mesmo que ligeira, entre George Valentin (Jean Dujardin) e Don Lockwood (Gene Kelly), além de outras referências que deixo a cargo do espectador encontrar, já que este texto é spoilers free. Aproveitando a deixa e comentando sobre o elenco, é obrigatório falar do melhor coadjuvante do filme, o cãozinho Jack (Uggie), responsável por ótimas cenas.

Admito que não é um filmaço, daqueles que a gente chega para os colegas na hora do café e comenta “Cara! você tem de assistir! É muuuuito bom!”. Não chega a tanto, mas num ano de produções medianas, era de se esperar que o melhor filme do Oscar não seria algo assim do outro mundo. Porém, dessa leva dos indicados, é um dos que merece ser assistido. Consegue agradar a gregos e troianos, ou melhor, cinéfilos e não-cinéfilos. Agrada aos primeiros pelos aspectos técnicos e pela “caça” às referências e aos demais por conseguir ser o que a grande maioria busca ao ir ao cinema: entretenimento.

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