Rush

Rush (2013)
roteiro: Peter Morgan
direção: Ron Howard
3.5 out of 5 stars

Filme baseado em fatos reais, é centrado na rivalidade entre os pilotos da Fórmula 1 Niki Lauda (Daniel Brühl) e James Hunt (Chris Hemsworth), que culmina na temporada de 1976.

Assim como Black swan não é um filme sobre balé clássico, Rush não é um filme sobre Fórmula 1. Diferente do que se ouvia comentar à época do lançamento não é um filme sobre corridas. Os “carrinhos” correndo em círculos estão lá – e não poderia ser diferente já que os personagens principais são pilotos – mas não são o centro das atenções. O cerne da trama é a rivalidade entre duas pessoas diferentes na sua essência. São personalidades antagônicas, que conduzem suas vidas de modos distintos, o que se reflete na forma como encaram o esporte.

rush movie poster

Como tantos outros brasileiros fui fã de corridas até aquele 1o. de maio, em Ímola, quando a notícia da morte do Senna fez as manhãs de domingo perderem o interesse. Não exatamente pela perda do Senna, mas é que a partir daí, a competitividade desse esporte foi se diluindo até deixar as provas totalmente sem graça. Uma cena em que um fã pede que Lauda coloque a data num autógrafo pois esse pode ser seu último é extremamente representativa do quanto o esporte era arriscado e, por conseguinte, emocionante.

Não sei precisar quando comecei a gostar, mas lembro que meu avô era um fã ardoroso dos Fittipaldi. Ele e meu pai estavam sempre comentando sobre a Copersucar – citada indiretamente no filme, ao se referirem à súbita saída de Emerson Fittipaldi da Ferrari. E, desse época, apenas tenho vaga recordação do acidente sofrido por Lauda. Apenas lembro da comoção gerada em casa quando ele voltou a correr poucas semanas após o ocorrido. Admito que nem sabia de sua rivalidade com Hunt e o filme conseguiu mostrá-la de forma bastante inteligente.

É muito interessante acompanhar como personalidades diametralmente opostas perseguem um mesmo objetivo. Lauda, extremamente profissional, é o cálculo, a frieza, o cérebro. Hunt, eterno playboy, é o impulso, a paixão, o coração. Mas como em qualquer ser humano, há sempre um pouco de cálculo no impulsivo, assim como há sempre um pouco de paixão no calculista. E é isso que molda essa rivalidade de forma incomum e merecedora de destaque. Mesmo não concordando com a maneira de agir um do outro, havia respeito mútuo, pois ambos têm consciência de que não teriam se tornado pilotos tão eficientes – e famosos – se não fosse a existência e a “provocação” de um adversário à altura. Em certo momento do filme, Lauda verbaliza isso, o que me fez lembrar imediatamente de The Dark Knight, quando o Coringa afirma que ele e Batman são dependentes, que um não existe sem o outro. E mesmo que Lauda não colocasse isso em palavras, o roteiro é bastante eficiente em demonstrar isso ao espectador durante o filme.

rush

Some-se a isso as performances da dupla central, com destaque para Brühl, que simplesmente desaparece na pele de Lauda (trocadilho infame, desculpem); uma excelente reconstituição de época – carros, roupas, móveis, penteados; a fotografia granulada de tons estourados emulando os filmes da década de 70; e ótimas cenas de corrida (lógico) que conseguem fazer o espectador voltar no tempo e se sentir assistindo a um GP da época. Não sei dizer se a reconstituição dos acidentes é 100% fiel ou não, mas isso é mero detalhe, já que estamos assistindo a um filme, não a um documentário. O que sei é que foram encenados e montados de modo a deixar o espectador tão imerso na ação, a ponto de se preocupar com o bem-estar dos personagens envolvidos.

Voltando ao início, assim como Black swan é capaz de agradar até quem não gosta de balé, Rush consegue agradar mesmo aos que abominam corridas de carro.

http://www.youtube.com/watch?v=k0WwpJZKTLQ

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