Out of the furnace

Out of the furnace (2013) – Tudo por justiça
roteiro: Scott Cooper
direção: Brad Ingelsby, Scott Cooper

Russell Baze (Christian Bale) trabalha na siderúrgica local, num emprego que garante seu ganha-pão mas não oferece qualquer perspectiva de melhora. Termina preso, após se envolver num acidente de carro em que uma criança acaba falecendo. Enquanto está na prisão, sua namorada, Lena Taylor (Zoe Saldana) o abandona, seu irmão mais novo, Rodney (Casey Affleck), vai lutar no Iraque e seu pai falece. Cumpre sua pena e, ao sair, retoma sua rotina na usina. Rodney, depois de voltar do Iraque não admite ter o mesmo destino do pai e do irmão, trabalhando na metalúrgica, e acaba se envolvendo em lutas clandestinas. Quando ele desaparece misteriosamente e a polícia parece não se esforçar muito para encontrá-lo, Russell decide resolver o assunto sozinho.

out of the furnace

A cena que abre o filme é muito, muito impactante e dá a impressão de que será um filme ”porreta”. Mas é, de certo modo, uma pegadinha, já que o personagem apresentado – Harlan DeGroat (Woody Harrelson) – não é o protagonista, apesar de ter um papel importantíssimo na trama; e também porque o impacto aguardado não se estende aos cento e poucos minutos seguintes. Há violência? Há sangue? Há cenas fortes? Sem dúvida. Contudo, aquele gostinho dado no início se perde numa história de vingança já vista uma infinidade de vezes, bastante previsível em alguns momentos.

out-of-the-furnaceO elenco é estelar. Harrelson numa performance acima da média. Todas as atuações são muito boas, mas de nada adianta isso se os personagens são bidimensionais, bem rasos, pouco desenvolvidos. Justamente por isso causam tão pouca empatia no espectador. Acompanha-se o fluxo da história e praticamente em momento algum importa saber qual será o futuro de cada um deles. Some-se a isso a previsibilidade dos eventos e o resultado é a total indiferença com o desenrolar da trama. Não se cria identificação suficiente nem para o espectador se importar com a reação dos personagens. E o filme, que já tem um ritmo lento, parece ainda mais arrastado.

Em vários momentos tem-se a impressão de que um dos temas “paralelos” será desenvolvido um pouco mais e prender a atenção do público. Resvala numa crítica social ao tratar de desemprego, alcoolismo, vício em drogas, violência, reintegração dos soldados retornando do Iraque. Mas nenhum desses temas é aprofundado. E, assim como os personagens, são abordados de forma rasa, superficial, quando poderiam ter um papel bem mais relevante na trama.

A fotografia é boa. A trilha sonora não atrapalha. A montagem agrada, exceto quando acompanhamos alternadamente Rodney indo para a luta e Russell indo caçar com o tio. Acredito que tenha sido montada com o intuito de criar um paralelo entre as situações e com a tentativa de aumentar a tensão, mas não é bem-sucedida. Consegue apenas que o espectador olhe (uma vez mais) para o relógio e reclame “Vamos! Vamos! Já sei como isso termina!”.

Enfim, um ótimo elenco, uma bela fotografia, desenho de produção muito bem feito. Tudo desperdiçado num filme meramente mediano.