Noah

Noah (2014) – Noé
roteiro: Darren Aronofsky, Ari Handel
direção: Darren Aronofsky
2.5 out of 5 stars

E aconteceu… Aronofsky decepcionou. Dentre os filmes roteirizados/dirigidos por ele só não assisti ainda a The Fountain. E todos tem um grau de excelência que, em maior ou menor nível, tornam o filme memorável – seja pela qualidade do roteiro, pela direção de atores, pela temática inusitada, pelo tema abordado. E neste, as únicas características que vieram à mente ao sair do cinema foram longo demais, cansativo demais.

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Desnecessário fazer uma sinopse já que a história é suficientemente bem conhecida a ponto de fazer parte da cultura geral, independente de se ter conhecimento ou não do texto original. A história em si já é uma alegoria, e o filme é a visão de Aronofsky dessa alegoria. Contudo, por ser Aronofsky, era de se esperar algo mais questionador – da moral, da crença, da sanidade – e menos fantasioso. Talvez a expectativa de que Aronofsky abordaria a história questionando a sanidade de Noé tenha prejudicado um pouco no início. Mas mesmo não fazendo o que eu esperava – e por que o roteirista me atenderia, não é mesmo? – era de se esperar que tivesse algo de extremamente original.

Pode-se argumentar que a intenção era fazer um blockbuster ao estilo de Transformers ou The Avengers ou, voltando o olhar aos tempos áureos de Hollywood, ao estilo de Os Dez Mandamentos ou Ben Hur. Mas exceto pela grandiosidade de algumas cenas, principalmente as da inundação, e pelo uso extensivo – talvez excessivo – de CGI não chega nem perto de ser uma aventura que prenda a atenção do espectador e o deixe suficientemente tenso, sentado na beira da cadeira, ao acompanhar as venturas e desventuras de Noé e sua família. O que deveriam ser cenas épicas de lutas e batalhas conseguem apenas arrancar alguns bocejos, pois não há sensação alguma de perigo real e, consequentemente, não há qualquer tensão. E a sensação é de que estão ali apenas para “encher linguiça”, pois falharam categoricamente em acrescentar emoção e em dar ao filme um visual espetacular.

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A escolha de Russell Crowe para ser Noé foi bastante acertada. Ele tem o “physique du rôle”, apesar de não haver um a descrição detalhada dele nos três capítulos do Gênesis que contam a história da arca. Mas certamente ele é como eu imaginaria um senhor de 600 anos encarregado de construir uma embarcação gigante. Os personagens secundários – a esposa, Naameh (Jennifer Connelly), os filhos Ham (Logan Lerman) e Shem (Douglas Booth) e a agregada Ila (Emma Watson) – são isso mesmo, secundários. Nenhum deles se destaca, nem os personagens nem as atuações dos atores. Nem mesmo o antagonista de Noé, Tubal-cain (Ray Winstone) consegue ter tanta presença em cena ao contracenar com Crowe. Matusalém (Anthony Hopkins) aparece em alguns momentos como o alívio cômico (?), com sua atitude enigmática – que ia de Yoda a Mestre dos Magos – e dua obscessão por frutas silvestres.

Aronofsky mencionou em alguma entrevista que não tinha intenção de fazer um filme bíblico. Ok. Não é um filme bíblico, não é um blockbuster, não é um filme de ação, não é um épico – com batalhas épicas, não chega nem perto de ser um “Aronosfky” reconhecível. Foi bem sucedido ao extrair uma nova leitura dos episódios narrados no Gênesis, mas ficou longe de conseguir transformar essa nova leitura num roteiro – e num filme – de que se extraia algo além do que está na tela e que suscite discussões pós-filme. A maioria dos comentários na saída da sessão se resumiam a “Nossa, que filme demorado… … … Onde vamos tomar sorvete?”

https://www.youtube.com/watch?v=kULOhaYuk8M

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