Mockingjay – Part 1

Mockingjay – Part 1 (2014) — A esperança – parte 1
roteiro: Peter Craig, Danny Strong
direção: Francis Lawrence

Após ser resgatada do Massacre Quaternário pela resistência ao governo tirânico do presidente Snow (Donald Sutherland), Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) está abalada. Temerosa e sem confiança, ela agora vive no Distrito 13 ao lado da mãe (Paula Malcomson) e da irmã, Prim (Willow Shields). A presidente Alma Coin (Julianne Moore) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) querem que Katniss assuma o papel do tordo, o símbolo que a resistência precisa para mobilizar a população. Após uma certa relutância, Katniss aceita a proposta desde que a resistência se comprometa a resgatar Peeta Mellark (Josh Hutcherson) e os demais Vitoriosos, mantidos prisioneiros pela Capital.
(fonte: adorocinema.com)

mockingjay - poster

É claro que dividir a história do terceiro volume foi uma decisão puramente comercial do estúdio – em bom português, puramente caça níqueis. Apesar de agradar aos fãs, que terão mais tempo para curtir seus heróis, a maior parte dos leitores da trilogia certamente achou desnecessária essa divisão. Não chega a ser tão sem sentido quanto filmar O hobbit em três partes, mas ainda assim não se justifica. Ok, a segunda metade do livro é bem mais interessante, com mais cenas de ação e tensão crescente (resenha aqui). Mas, mesmo assim, um erro. Creio que um filme de duas horas e meia, mais ou menos, daria conta. Contudo, até que Lawrence conseguiu se virar bem com um roteiro que foca mais no teor político da história.

Substituindo a ação quase incessante por vários momentos reflexivos – sobre política, uso da propaganda, estratégias de difusão de mensagens – e trocando os cenários multicoloridos da Capital pelo cinzento monocromático do Distrito 13, o filme começa com uma mudança de ritmo muito bem-vinda. O problema é que, salvo duas, ou melhor, três situações de maior tensão, a narrativa parece se arrastar, dando a sensação de alongar algumas cenas desnecessariamente. Vale destacar a montagem dessa terceira sequência. A alternância entre a narração de Finnick (Sam Claflin), o grupo de rebeldes invadindo um edifício na Capital e a expectativa na sala de controle envolvem o espectador de tal forma que, passado o clímax da cena, é que percebemos estar com a respiração (quase) suspensa.

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Não é culpa dos roteiristas que o triângulo amoroso – Katniss, Gale, Peeta – pareça tão insosso. É dessa forma nos livros também. Como comentei na minha resenha, “Falar de política pode. Mostrar violência extrema pode. Mas o amor é quase platônico…” Um pouco incoerente em se tratando de adolescentes com os hormônio em ebulição – sim, os personagens são adolescentes, apesar de os atores parecerem mais velhos. E é bem provável que, se o roteiro carregasse um pouco mais na paixão, os fãs xiítas reclamariam da falta de fidelidade aos livros. Além do fato de o estúdio não poder manter a classificação PG-13 do filme.

É com pesar que vemos Philip Seymour-Hoffman interpretando Plutarch Heavensbee. Apesar da performance sempre impecável, durante suas cenas é difícil evitar a lembrança de que não haverá novos trabalhos seus a admirar. Jennifer Lawrence segura bem a onda de praticamente “carregar” o filme. Vale a diversão de encontrar personagens de séries de tv no filme: Natalie Dormer (Margaery Tyrell de Game of Thrones) como Cressida; Mahershala Ali (Remy Danton de House of Cards) como Boggs; e Robert Knepper (T-Bag de Prison Break) como Antonius.

Enfim, o filme deixa aquela impressão de calmaria antes do caos. E infunde no público a expectativa por um grand finale.