The purge

The purge (2013) – Uma noite de crime
roteiro e direção: James DeMonaco


 
 
 
 
Quando o governo norte-americano constata que suas prisões estão cheias demais para receberem novos detentos, uma nova lei é criada, permitindo todas as atividades ilegais durante 12 horas. Este período, chamado de “Expurgo” (”Purge”), é marcado por milhares de assassinatos, linchamentos e outros atos de violência por todo o país. O intuito, segundo o governo, é permitir que todos os cidadãos libertem seus impulsos violentos, garantindo a paz nos outros dias do ano. Neste contexto vive a família de James Sandin (Ethan Hawke), um vendedor de sistemas de segurança que prospera graças ao evento. A história se passa daqui a 6 anos (em 2022), e a sociedade retratada no filme é bem similar à atual.

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O governo, na verdade, acabou juntando oferta e procura, solucionando dois problemas de uma só vez: a criminalidade e a miséria crescentes. Os sociopatas saem livremente às ruas para matar os mais pobres, aqueles que não têm dinheiro para se proteger. Ao mesmo tempo que os sociopatas liberam seu impulso assassino impunemente, “liberam” a sociedade do excedente de miseráveis e desempregados que, no entender do governo, prejudicam o desenvolvimento sócio-econômico do país. Quem tem dinheiro, fica entrincheirado em casa, atrás de sistemas de segurança. Quem não tem, fica nas ruas, à mercê dos cidadãos.

A sinopse dá a entender que o roteiro explora a faceta da violência – a exemplo de Funny games, de Haneke (resenha aqui) – questionando a validade dessa catarse generalizada, da violência gratuita, da ética, do que cada um é capaz de fazer quando sabe que não haverá punição. Mas não é bem isso.

Ao final do primeiro terço do filme, reorganizei as ideias e achei que o enfoque seria a questão social por detrás da iniciativa de organizar o expurgo. Mas a narrativa também não seguiu por aí. No fim, todos os possíveis ângulos da situação são discutidos en passant, de forma superficial, com uns textos tipo comercial de margarina, pasteurizados demais.

Desde que se compre a ideia de que os sociopatas se contentariam com apenas um período anual de 12 horas para “diversão” sem culpa, a premissa até é bem interessante. Mas infelizmente foi mal explorada, além de ter um roteiro muito previsível e personagens quase unidimensionais de tão rasos. Não é um filmaço, mas vale ser assistido pela temática abordada.