The purge: Election Year

The purge: Election Year (2016) — 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição
roteiro e direção: James DeMonaco
3 out of 5 stars

(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 04/02/2017)

 

Este é o terceiro filme da franquia, depois de The purge e The purge: Anarchy. E, possivelmente, deve ser o último já que o diretor, James DeMonaco, está trabalhando para levar a série para a tv.

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A premissa dos filmes é sempre a mesma. Quando o governo norte-americano constata que suas prisões estão cheias demais para receberem novos detentos, uma nova lei é criada, permitindo todas as atividades ilegais durante 12 horas. Este período, chamado de “Expurgo” (“Purge”), é marcado por milhares de assassinatos, linchamentos e outros atos de violência por todo o país. O intuito, segundo o governo, é permitir que todos os cidadãos libertem seus impulsos violentos, garantindo a paz nos outros dias do ano. Essa é a justificativa oficial, mas um olhar mais atento revela que há outras motivações que tem pouco ou nada a ver com pacifismo.

Mesmo sem orçamentos astronômicos, a cada filme, o universo narrativo vai se expandindo. No primeiro filme, o espectador acompanha uma família tentando se defender dentro de sua própria casa, depois de o sistema de segurança ser destruído por um grupo de “expurgadores”. No segundo, há três núcleos de personagens em uma cidade, tentando sobreviver às 12 horas de violência. Neste, a narrativa atinge nível nacional quando uma senadora – Charlene Roan (Elizabeth Mitchell), sobrevivente de um ataque durante um Expurgo – está na corrida pela presidência, defendendo o fim do Expurgo. O policial Barnes (Frank Grillo), que apareceu no segundo filme tentando vingar a morte do filho em um acidente de trânsito, agora é o responsável pela segurança da senadora, ameaçada de morte durante a noite do expurgo.

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O roteiro, assim como nos filmes anteriores, é o ponto fraco. Apesar do subtítulo tentar dar a impressão de que o viés político será, não necessariamente o foco, mas ao menos mais importante que os demais aspectos da trama, não é o que acontece. A violência cada vez mais estilizada continua sendo o destaque. O mote principal ainda é “Como o núcleo de personagens irá sobreviver ao Expurgo”. A diferença neste é que proteger Roan é mais importante que qualquer outra coisa. Mas esse detalhe pouco acrescenta à história. Além disso, a evolução da trama é bastante previsível, o que não chega a ser um problema para o público-alvo do filme, que apenas espera ver mais do mesmo, talvez apenas de forma um pouco mais sanguinária, teatral, hiperbólica. Assim como nos demais, os personagens são rasos, quase unidimensionais. E as atuações do elenco também não colaboram, principalmente Mitchell, que não consegue gerar empatia no espectador, que está pouco se lichando para o que acontecer a Roan. Grillo, mesmo não estando excepcional, faz o público torcer pelo seu sucesso.

Um detalhe que destaca este filme dos demais é a discussão mais explícita sobre os reais motivos do governo para a realização do Expurgo. Abordar sem subterfúgios a ameaça fascista disfarçada de medida pacífica. O governo vende o evento como uma válvula de escape para a violência, quando na verdade é uma medida para manter os ricos ricos. Matar os menos favorecidos na sociedade, diminuindo a pressão social e mantendo sob controle os níveis de desemprego e a demanda de serviços públicos. Nos anteriores, isso estava subentendido. Neste, os “Novos Pais Fundadores da América” – os vulgo WASP – expõem o ódio e o desprezo por todos que não sejam como eles ou que sejam contra suas ideias, como a senadora Roan.

Mesmo sendo tecnicamente fraco, é um bom desfecho para a franquia – caso ela termine mesmo.

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