The Greatest Showman

The Greatest Showman (2017)
roteiro: Jenny Bicks, Bill Condon
direção: Michael Gracey

 
 
 
 
Todo ano são lançados filmes biográficos. A maioria segue um mesmo padrão, optando sempre pelos gêneros do drama e da comédia. The Greatest Showman se diferencia e ganha seu espaço por transformar um drama em um musical.

Depois de ser demitido de seu emprego, P. T. Barnum tem uma brilhante ideia e cria um novo tipo de entretenimento, reunindo diversos indivíduos excluídos pela sociedade por suas aparências. Ele monta o que nós chamamos hoje de circo.

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O musical é dirigido por Michael Gracey, este é seu primeiro longa e pode-se dizer que ele faz um bom trabalho. Há, no filme, um ótimo trabalho de câmera e transições de cena inteligentes. Durante os atos musicais ocorrem essas transições fazendo com que o filme siga com sua narrativa eficiente e rapidamente. O roteiro é escrito por Jenny Bicks e Bill Condon. Temos aqui talvez o maior problema do filme. Diferente de La La Land (2016), The Greatest Showman apresenta uma história clichê, algo que não funciona sem as músicas e coreografias. Se esse longa fosse uma animação, seria perfeito. Apesar do bom elenco, o único personagem com o qual nos apegamos é o de Hugh Jackman, isso devido ao não desenvolvimento dos personagens. Há ganchos no meio do filme que são deixados para que haja conflito ao continuar da trama, mas eles são simplesmente esquecidos.

Com certeza a trilha musical, coreografias e direção de arte são destaques positivos para o longa. As músicas não são boas à toa, são escritas pela mesma equipe que escreveu a trilha de La La Land – John Debney, Justin Paul e Joseph Trapanece. As músicas desse filme têm um ritmo e estilo diferente do projeto anterior, elas são mais vivas, tem uma energia diferente e com a excelente coreografia, os atos musicais se tornam mais emocionantes. Infelizmente os efeitos visuais são ruins, causando uma quebra de ritmo. Há todas aquelas cores, danças e sons, tudo tão real e então os animais feitos em CGI meio que destoam e tiram um pouco da atenção do espectador. Talvez gastar um pouco mais na pós-produção iria valer a pena.

Hugh Jackman está muito bem, como de costume. Cantar não é seu ponto forte, mas ele entrega o necessário e transmite toda a dor de seu personagem muitas vezes pelos seus olhares. Zac Efron está em casa, voltando a fazer um musical. Ele faz um bom trabalho mas seu personagem não é favorecido pelo roteiro e acaba sendo superficial. O mesmo acontece com as personagens de Michelle Williams e Rebecca Ferguson. Ambas têm boas atuações mas não muito tempo de tela para desenvolver seus personagens apropriadamente. Zendaya entrega uma personagem forte mas ao mesmo tempo frágil, mas assim como o resto não é bem desenvolvida.

The Greatest Showman conta a história de P. T. Barnum de um jeito divertido, eletrizante e arrepiante, mas se não fosse pelas músicas e coreografias, seria apenas mais filme que teve um roteiro mal trabalhado.