A Quiet Place (2018)

A Quiet Place (2018) – Um lugar silencioso
roteiro: Bryan Woods, Scott Beck & John Krasinski
direção: John Krasinski

Dando um valor maior para a imagem e para o som, A Quiet Place é definitivamente um dos melhores filmes de 2018. Dirigido pelo estreante John Krasinski, o terror conta a história de uma família que vive em um mundo pós apocalíptico, onde monstros cegos caçam os animais e seres humanos utilizando sua audição aprimorada. Krasinski faz um excelente trabalho desde a primeira cena do filme, um começo suave e tenso ao mesmo tempo, onde toda a situação dos personagens é apresentada com eficácia.

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Além de dirigir, ele assina o roteiro ao lado de Scott Beck e Bryan Woods, e um dos muitos acertos do filme foi o pouco uso de falas. Sendo assim, como o filme não apresenta muitas falas, as imagens são tudo o que resta para explicar alguns pontos do longa e, cá entre nós, muito melhor do que interromper a narrativa para que haja uma explicação elaborada do que está acontecendo.

Não é porque há pouquíssimas falas e o som é inimigo dos protagonistas, que não existe som algum no filme, muito pelo contrário. A trilha sonora de Marco Beltrami é essencial para a narrativa, os momentos de tensão funcionam perfeitamente com a trilha que hora se apresenta como clichê de terror (funciona) e hora torna a cena ainda mais angustiante. O som direto é um dos artifícios usados para que se crie ainda mais medo e expectativa. Por exemplo, os personagens precisam fazer extremo silêncio mas quando pisam no chão de madeira o barulho se torna o único som naquele momento, além da respiração.

A fotografia e a direção de arte fazem um belo trabalho, os planos abertos são esteticamente lindos e colaboram para a narrativa. Eles situam não só a localização dos personagens, mas também onde fica determinado local, para onde eles vão, onde é a casa, onde é a ponte, etc. Há algo interessante a se notar: quando os personagens acendem as luzes vermelhas, significa que os monstros estão a caminho; a fotografia e a arte utilizaram desse detalhe para colocar sempre algo em vermelho quando há a presença de monstros, ou a própria luz, ou sangue, dentre outros meios.

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Há no filme um bom equilíbrio da presença dos atores em tela, todos tem seu tempo, seu momento. O único que fica um pouco fora é o jovem Noah Jupe, ele atua bem, transmite suas sensações muito bem. O problema é que ele talvez precisasse ter um pouco mais tempo em tela, pois fica ofuscado pelas atuações e arcos dos outros personagens.

Infelizmente o filme não é perfeito. Sempre que os monstros apareciam, ocorria um certo desgosto, não por eles serem mal feitos, pelo contrário, o visual de CGI é muito bem executado, mas acredito que menos é mais, ou seja, seria mais interessante narrativamente não apresentar os monstros e deixar a imaginação do público trabalhar nesse momento. Traria uma sensação de medo e nervosismo muito maior, mas obviamente que esse defeito não basta para estragar o longa.

A Quiet Place é um filme simples, que apresenta uma história de família e de terror muito bem feita e, ao mesmo tempo, dá uma aula nos quesitos imagem e som. É o melhor filme que Michael Bay produziu.