Hostel

audio: Temple of the Dog
meteorologia: será que esfria no feriado?
teor alcoólico: 1 original, várias smirnoff ice
pecado da gula: um monte de esfihas de queijo

Hostel, dirigido por Eli Roth

Decepcionante. Não tenho outra palavra pra descrever minha sensação quando o filme terminou. Fui ao cinema para assistir um filme com a “apresentação” de Tarantino, o que no meu entender seria uma boa referência. Mas inexplicavalmente, Tarantino associou seu nome a algo que não chega aos pés da sua direção mais medíocre (na minha opinião, Jackie Brown).

Apesar da premissa interessante e bastante controversa, da boa fotografia e movimentação de câmera, o filme não se sustenta durante os 90min. da exibição. Parece que não tem roteiro, a atuação dos atores é sofrível, o “medo, choque e terror” prometidos pelo trailer não passam de uma sucessão de cenas nojentas. Deveria ter sido vendido como um filme gore, a exemplo dos excelentes filmes de Dario Argento (apesar de não ser tão bom quanto eles), e não como uma “cria” de Tarantino, o que me levou e provavalmente levou outros cinéfilos a pensar que a produção era algo próximo a Reservoir Dogs, com textos de dar inveja a qualquer bom escritor.

O filme se arrasta na primeira metade, em que mais parece uma dessas comédias pueris, no pior estilo American Pie, com personagens rasos, repleta de diálogos mal escritos e chauvinistas ao extremo.
Segue-se a suposta “ação”, durante a qual sofrem os de estômago mais fraco. Culminando com um final previsível, em que o sobrevivente (porque sempre deve restar ao menos um) vinga-se de um dos torturadores, tendo a lei de Talião como justificativa: “Olho por olho, dente por dente” (no caso, dedo por dedo). E não satisfeito, vinga-se de quem o fez chegar àquele circo de horrores.
Some-se a isso, uma visão extremamente deturpada dos países do leste europeu, e o resultado seria um filme perfeitamente dispensável não fosse pela discussão que levanta acerca da violência, do sadismo, da falsa moralidade da sociedade e do que se esconde por trás da banalidade do dia-a-dia. Não digo que não vale o valor do ingresso – o efeito pós-filme teria sido o mesmo se o público acessasse o site que (supostamente) deu a idéia a Eli Roth, sobre bizarrices tais como gente que paga para torturar outras pessoas – pois a reflexão que se segue compensa os maus bocados passados no cinema (seja pelas cenas asquerosas, seja pelo roteiro ruim).

Enfim, apenas esperava que uma idéia tão instigante tivesse vindo acompanhada de um bom roteiro e de uma boa direção de atores, o que infelizmente não aconteceu.