Closer

meteorologia: instável
pecado da gula: pastel de feira
teor alcoolico: ainda nada… a noite vai ser longa
audio: magnolia soundtrack
video: high stakes poker


Closer, direção Mike Nichols
Apesar de a trama ser uma paráfrase da “Quadrilha”, de Drummond, o filme vale pelos excelentes diálogos e pela atuação primorosa do elenco. Aliás, os diálogos sarcásticos e afiadíssimos são o principal atrativo. À semelhança de “Who’s Afraid of Virginia Woolf?” (filme de meados dos anos 60, também de Nichols), as palavras são usadas como artífice para atingir o outro. No duelo verbal entre os personagens de Liz Taylor e Richard Burton, o único objetivo é ferir o mais profundo possível. Como ambos se conhecem muito bem devido ao convívio em dezenas de anos de casamento, sabem exatamente como tornar devastadoras as frases metralhadas entre eles, atingindo o efeito desejado.
Em Closer, a violência verbal também está presente. A linguagem crua expõe uma visão deprimente e extremamente destrutiva da natureza humana. A impossibilidade do amor. A inevitabilidade da infidelidade. O desejo de manipulação. O paradoxo de que algumas vezes nosso pior lado pode aparecer num relacionamento amoroso. A consciência da própria fragilidade e os ardis para disfarçá-la. A imperfeição das escolhas.
Sem floreios na direção de câmera, as imagens casam perfeitamente com os diálogos, focando nos rostos dos atores, nas expressões faciais, nos gestos, nos trejeitos.
Nichols conseguiu extrair o máximo de seu elenco. Todos estão ótimos, mas Clive Owen surpreende ao encarnar o “macho manipulador”. E foi interessante ver Julia Roberts atuando novamente, depois de tantos filmes apenas “figurando” em cena.

Enfim, é um filme forte, que pode não agradar a todos, seja pela temática, seja pela crueza. Mas vale assistir.

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