Caché

meteorologia: calorrrrrrrrrrrrrrr
pecado da gula: brigadeiro
teor alcoolico: várias itaipavas
audio: nerdcast 197
video: EPT San Remo

Caché, direção Michael Haneke

Veio-me à lembrança, ao ler uma matéria sobre o novo filme desse diretor. Assisti-o já há algum tempo. Na ocasião, não sabia nada sobre o filme ou o diretor, aluguei simplesmente pela presença no elenco de meus dois atores franceses prediletos atualmente: Juliette Binoche e Daniel Auteil. E não foi perda de tempo assisti-lo. Aliás, vale revê-lo sempre que possível.
O filme é todo minimalista. A estória é simples. O elenco é pequeno. Há poucas locações externas. Não há trilha sonora. Os planos são longos, sem os cortes frenéticos da maioria dos filmes atuais. Não há diálogos em excesso, fala-se apenas o essencial. Efeitos digitais foram deixados totalmente de lado. Sem movimentos de câmera mirabolantes. Não há reviravoltas no roteiro a fim de surpreender o expectador. Ascetismo total. Não há desperdício.
A atuação do elenco está primorosa, não só dos protagonistas, mas também dos coadjuvantes.
Apesar de simples, a estória não é simplista. Há muito mais a descobrir nas entrelinhas do que dá a entender inicialmente. A princípio, parece apenas mais um filme policial, com uma família burguesa descobrindo-se observada e vigiada por um desconhecido. À medida que a estória avança, percebe-se que não é só isso. Esses eventos desencadeiam um estado constante de suspeita e paranóia, minando o cotidiano da família. Há a crise de confiança do casal, quando a esposa descobre que o marido sabe mais do que deixa transparecer. Há a crise familiar, quando o filho passa a noite fora ao se dar conta da instabilidade do relacionamento dos pais. E finalmente, ao descobrirmos (ou não), junto com o personagem, a origem daquelas fitas de vigilância, o roteiro nos leva ao entendimento de algo que vai além de uma travessura ou mal feito infantil. Há o preconceito, a intolerância, a fobia de outras culturas, o receio de uma nação de ser invadida por outras etnias. Está tudo ali.
Palavras do diretor: “Nenhum cineasta mostra a realidade, apenas a sua imagem manipulada; também me arrisco a manipular o espectador, mas o faço com o objetivo de estimulá-lo à reflexão, de levá-lo a pensar no que está vendo.”


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