Marcas da violência

meteorologia: calor que não termina
pecado da gula: pastel de feira
teor alcoolico: algumas itaipavas
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Marcas da violência, direção David Cronenberg

Esperava bem mais desse filme. Não que o filme seja ruim, não é. É apenas convencional demais, peca pela falta de originalidade, se comparado aos demais. Com bons títulos em sua filmografia como o ótimo Scanners, o ambíguo M.Butterfly, o bizarro Dead Ringers, o violentíssimo Crash e mesmo o insosso The Fly, Cronenberg deixou a desejar.
A primeira cena é exatamente o que se espera de um filme dirigido por ele, densa, violenta, crua e sem eufemismos. Leva-nos imediatamente a nos questionarmos sobre a natureza de homens que encaram a morte, ou melhor, o ato de matar, com tanta naturalidade, como parte do seu cotidiano. E como nós, meros expectadores, encaramos essas cenas de violência cada vez mais com uma indiferença exasperadora. É tão corriqueiro assistirmos, que já não nos choca. E, infelizmente, ao presenciarmos imagens semelhantes em telejornais, possivelmente pela semelhança da mídia, tal violência não gera mais tanta comoção. Como nos colocar no lugar da vítima, se já estamos tão habituados a assistir tais cenas como sendo parte de uma ficção?
Apesar do início promissor, o restante da película parece carecer de uma estória, apresentando apenas uma sucessão de acontecimentos. A falta de um clímax e a rapidez com que termina (apenas 1:30 de filme) deixam aquela impressão de “ué! já terminou? assim, sem mais nem menos?”. Mesmo a crise de consciência do personagem vivido por Viggo Mortensen, Tom Stall, é tratada tão superficialmente que parece pouco importar no decorrer dos eventos. Nem mesmo a dualidade entre a aparência pacata de Stall e a violência e eficácia com que age contra os “bad guys” é explorada o suficiente, pois em momento algum o roteiro conduz o expectador a confrontar as ações de Stall com a cena inicial. Em certo ponto, pareceu-me que a única questão importante era se Stall era um matador ou não.
Não me arrependi de ter assistido. Mas fiquei decepcionada. Definitivamente, não parece um filme de Cronenberg.

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