Delicatessen

meteorologia: dia chuvoso
pecado da gula: pudim de leite
teor alcoolico: 1 original
audio: nerdcast #229
video: braincast

Delicatessen, direção Jean-Pierre Jeunet & Marc Caro

Filme de estréia de Jeunet, é uma comédia de humor negro que se passa num futuro pós (ou pré) apocalíptico em que a comida é tão escassa que se torna moeda de troca. Mais conhecido depois por um dos filmes mais cultuados na última década, Amélie, percebe-se desde esse primeiro filme toda a inventividade visual do diretor – presente também no filme seguinte, La cité des enfants perdus.

O humor sutil que permeia todo o filme, inicia-se pelo título que, numa tradução literal, quer dizer delicadeza. Mas o têrmo é usualmente utilizado para designar uma loja de alimentos requintados, produtos que dêem prazer ao paladar. Apesar disso, o filme não é sobre gastronomia ou culinária, nem sobre alimentos vendidos, consumidos e degustados numa delicatessen.
Praticamente toda a ação se restringe a um edifício residencial cujo térreo é ocupado por um açougue, chamado Delicatessen. Devido à falta de comida, a solução encontrada pelos moradores do prédio é bem ao estilo de “João e Maria”: contratar rapazes para pequenos serviços de manutenção no edifcíio, engordá-los e depois dividir o “alimento” entre eles. Um candidato à vaga se apresenta e é, lógico, rapidamente contratado. A partir daí, todas as situações giram em torno da tensão gerada pela expectativa do dia em que o rapaz será sacrificado para saciar a fome dos moradores.

No início do flme, é difícil definir qual é realmente a estória. Passe-se algum tempo apenas assistindo pequenos “quadros” destinados a apresentar o dia-a-dia dos moradores, seus hábitos, suas manias, suas neuroses. Não é um filme de grandes gags visuais, a graça está no inusitado das situações: a senhora com idéia fixa de suicídio, o senhor que se alimenta dos animais que cria, os números circenses de Louison. A trama em si pouco importa, ela é apenas um veículo para o diretor exibir sua visão criativa, imaginativa, bizarra da realidade de modo extremamente bem embalado visualmente. Se, por um lado, o deleite visual é uma experiência inusitada e ao mesmo tempo muito agradável, por outro lado em alguns momentos a ausência de uma linha narrativa e de um maior desenvolvimento dos personagens deixa o espectador com a impressão de que falta algo.

Certamente não é um filme para todos os públicos (o q Amélie conseguiu ser com facilidade), pode inclusive parecer indigesto para alguns. Mas quem se divertir com as “brincadeiras” dos diretores – pois o filme todo parece não passar de uma travessura -, os ângulos de câmera inesperados e por vezes estranhos, o clima bizarro da estória, certamente vai adorar o filme.

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