"Quer me fuder me beija, porra!"

meteorologia: frio ainda
pecado da gula: um alfajor
teor alcoolico: 1 original, 2 doses de absolut
audio: radiofobia #40

Tropa de Elite 2, direção José Padilha

Depois de duas tentativas frustradas, devido a extensas filas, consegui assistir. Fui no feriado, na primeira sessão do cinema, 12:15. Já fiz isso em outras ocasiões e, em geral, além de mim só havia mais 9-10 gatos pingados. Desta vez, mais de 50% da sala estava ocupada. Incomum, tratando-se de um filme nacional. Aliás, desta feita, a lotação devia-se justamente ao fato de ser um filme nacional. Sequência do filme nacional de melhor bilheteria dos últimos anos. Visto por esse lado, é gratificante presenciar o público valorizando um produto legitimamente brasileiro.

Aliás, a continuação provavelmente só foi possível devido ao sucesso estrondoso do primeiro filme, que foi um fenômeno de bilheteria apesar de ter “vazado” semanas antes da estréia. Muitas pessoas, eu inclusive, compraram o dvd pirata, assistiram em casa e depois foram ao cinema. Não só para rever o filme – divulgou-se que a versão vazada não era a final – mas também para prestigiar a produção. “O filme é muito bom e eu faço questão de pagar para assistir no cinema.” Foi basicamente o que ouvi da maioria das pessoas. E a propaganda boca a boca foi ferramenta essencial na divulgação. Feito uma onda, os comentários sobre o filme invadiram todas as rodas, do boteco às baladas de luxo, da periferia às mansões. Foi literamente um “boom”. um fenômeno de mídia.

Devido a esse sucesso, a expectativa com o lançamento da sequência era grande, muito grande. Talvez por isso.. não, certamente por isso muita gente saiu um pouco decepcionada do cinema. Boa parte das pessoas esperava mais um filme “porrada e sangue no zóio”, assim como o primeiro. E não é exatamente isso. Os palavrões, os jargões que caem imediatamente no gosto popular, a presença marcante e engraçada de Milhem Cortaz. Está tudo ali. Porrada? Tiro? tem também. Violência? Sangue? Tem também. Mas não nas mesmas proporções e tudo com um enfoque bastante diferente. Enquanto o primeiro questionava a postura da sociedade frente à criminalidade e o modo que deveria ser combatida, o segundo tem uma perspectiva bem mais ampla, questiona todo o sistema, toda a politicagem envolvida em manter essas engrenagens rodando. Mas nem por isso deixa de ser “pé na porta, tapa na cara, soco no estômago”, como tuitei quando a sessão terminou. Enquanto o primeiro dissecava as entranhas de uma corporação policial, o segundo vai além e aborda a promiscuidade do sistema, do “relacionamento” da máquina do Estado com o crime organizado. Um é filme policial, o outro é crítica social. O que foi visto no primeiro, é contextualizado no segundo.

Destaque para o elenco, numa escalação primorosa, desde os atores que repetem os papéis do primeiro filme até os “novatos”. Wagner Moura numa performance que pode ser descrita no mínimo como brilhante. Uma aula de interpretação. Aproveitando a deixa, devo admitir que a narração em off feita pelo seu personagem me incomodou um pouco. Não que eu ache que não deveria ter sido feita, sendo um recurso narrativo que se mostrou bastante eficiente no primeiro filme, mas creio que nesse segundo foi excessiva. Em certos momentos, didática demais, quase explicando ao público o que estava ocorrendo na tela. Over. Talvez tenha sido proposital, a fim de guiar o público. Mas me deixou incomodada como um vício de linguagem.

Talvez a melhor ironia do filme seja o letreiro inicial, informando que os fatos são fictícios, apesar da semelhança com a realidade. Indubitavelmente, é um espetáculo cinematográfico. Mas certamente seu maior mérito não é esse, é ser uma análise bastante ácida sobre o momento atual do nosso país.
Vale a pena. Eu recomendo.

One comment

  1. Eu já ia ver com certeza!
    Depois dos comentários, maior ainda a certeza!
    Agora é só descobrir quando conseguirei.

    E tem mais um NACIONAL que preciso ver URGENTE. AMANHÃ talvez. o #SOBERANO.

    Beijos
    adorei sua leitura do filme. e nem contou o final.
    Colucci
    @antoniocolucci

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *