Doubt

meteorologia: muuuito calor
pecado da gula: sorvete de crocante com calda de chocolate
teor alcoolico: 2 smirnoff ice
audio: jotacast #20
video: lost season finale

Doubt, direção John Patrick Shanley

Filmes adaptados de peças de teatro bem sucedidas nem sempre são tão bem sucedidos quanto a fonte original. Desde a mornidão total, filmes facilmente “esquecíveis”, tipo “You’ve got mail” (apesar da atuação simpática de Tom Hanks e Meg Ryan), adaptado da peça de Miklós László, “Parfumerie”. Até a genialidade, em que a obra cinematográfica consegue transpôr para a tela toda a essência da peça, como em “Who’s afraid of Virginia Woolf?”, adaptada da peça homônima de Edward Albee. Doubt tende mais à segunda opção. Muito provavelmente devido ao fato de o diretor adaptar uma peça de sua autoria.

Roteiro bem “amarrado”. Diálogos elegantemente escritos. Personagens construídos cuidadosamente. Estória com complexidade psicológica bastante envolvente. Pano de fundo também bastante interessante, com uma crítica bastante consistente ao sistema estabelecido pela Igreja da época em que se passa o filme. Todas essas características se somam à excelência dos atores principais – Meryl Streep, como a madre Aloysius, e Philip Seymour Hoffman, como o padre Flynn – para entregar ao público um filme intrigante e que prende a atenção do início ao fim.

Como indicado pelo título, a dúvida é o centro do enredo. Padre Flynn cometeu ou não o ato de que o acusa Madre Aloysius? Apesar da visão onipresente do expectador, mesmo ao final do filme não há como afirmar nada. Há apenas suspeitas, e não provas. Várias vezes lembrei de Machado de Assis, Dom Casmurro e Capitu com seus olhos de ressaca. No fim das contas, não faz diferença se cometeu ou não. Isso é o McGuffin do filme. O que move a estória. Os atos de Flynn não corroboram a opinião da diretora. Mas pequenos detalhes na atuação de Hoffman plantam aquela dúvida que nos intriga durante todo o filme. Mas, apesar de a atuação tanto de Hoffman quanto de Streep serem o ponto alto do filme, é a personagem de Viola Davis, que simplesmente rouba a cena. A participação é curta mas extremamente marcante. É, sem dúvida, a personagem mais interessante.

Vale assistir. Eu recomendo.

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