Quando eu assisti a… Rio 2

Este post inaugura oficialmente a seção “Quando eu assisti”, cujo tema são os eventos que cercam a experiência de assistir a um filme ou série.

Texto do colaborador Douglas Pereira, editor do site Cafeína Literária.

Ontem recebi um texto norte-americano de um amigo estadunidense, falando sobre o Brasil e suas obras para copa. Não é preciso entrar em detalhes: todos nós – brasileiros – temos acompanhado a vergonha que são as administrações públicas em relação às obras e organização de serviços. Convenhamos, o governo nunca fez nada exemplar, a menos que envolvesse eficiência em colher impostos, portanto não havia porque esperar algo diferente agora.

Gostaria de comentar, todavia, a coisa por outro prisma: levei meus filhotinhos para assistir a Rio 2 neste final de semana, no Cinemark do Mooca Plaza Shopping. Qualquer cinéfilo que vive em São Paulo sabe o que isso quer dizer em termos de custo: foram 40 reais de ingresso, mais 16 reais de pipoca e refrigerante, totalizando 56 reais. Observe, não é exatamente uma pechincha! Todavia, prezo pelo conforto e por isso dava preferência à rede Cinemark, o que DEVERIA significar alta qualidade. MAS…

rio2

O que encontrei, já na chegada, foram filas gigantescas em frente aos guichês de auto-atendimento (da fila dos guichês tradicionais, não cabe comentar, pois é sempre muito maior). Dos 6 terminais, apenas 2 estavam funcionando. O que, para um pai solteiro com 2 filhos inquietos, é uma espera interminável. Sobretudo quando – pela lei de Murphy – todos os malditos humanos à minha frente estavam INDECISOS sobre que filme assistir e ficaram discutindo em frente ao terminal, segurando a fila por um sem fim de minutos.

Gente… Sério! DECIDAM O FILME ANTES DE ENTRAR NA FILA! E SE VOCÊ NÃO SABE USAR O TERMINAL DE AUTO-ATENDIMENTO, SE É ASSIM TÃO TERRIVELMENTE DIFÍCIL PARA VOCÊ APERTAR DOIS OU TRÊS BOTÕES NA TELA, VÁ PARA O GUICHÊ TRADICIONAL OU VÁ LOCAR UM VHS PRA ASSISTIR EM CASA!

Ingresso comprado, ufa! Hora da pipoca e, mais uma vez, fila. Como se já não fosse ofensivo o bastante pagar 8 reais por um saquinho de pipoca fria, você tem de aturar a quantidade de “espertos” tentando burlar a fila e um atendente digno de tomar uns pedalas, pela incapacidade de atender com eficiência. Isso sem comentar a imundice que é o chão, com aquele mar de pipoca caída, sem que apareça uma boa alma com uma vassoura para manter o mínimo de higiene. E, como cereja do bolo, você pede refrigerante SEM GELO e, adivinhe (!), ele vem com meio copo só de gelo. A essa altura, nem reclamei. Queria mais era cair fora daquele tumulto.

banheiro
Ah, se fossem todos assim…
O ponto mais crítico para um pai solteiro de um casalzinho do barulho, é que PRECISO DE UM BANHEIRO COM AS MÍNIMAS CONDIÇÕES DE HIGIENE PARA MEUS REBENTOS. Durante a sessão, como sempre, os ETzinhos precisaram fazer aquele xixizinho básico. E, obviamente, não havia banheiro família (o que já é ruim, mas aceitável quando há aqueles banheiros exclusivos para deficientes). E mesmo o banheiro para deficientes, estava tomado de podridão, pipoca, papéis higiênicos usados, bosta e xixi pelo chão e o ar com aquele cheiro fenomenal de intestino humano.

Nota: só levo minha filha ao banheiro masculino quando não há alternativa, nem mesmo uma moitinha na rua, pois, espécimes femininos fazem seus xixis sentadas e não há lugar mais podre que um banheiro público masculino. Onde, eu presumo, 95% dos humanos do sexo masculino que o frequentam têm problema de pautortice, visto que nunca são capazes de acertar dentro do vaso.

A CULPA É DA EMPRESA, SEMPRE. Falta treinamento, falta um plano decente de atendimento, falta de um bom software de vendas, faltam de bons líderes para coordenar a turma, etc. Cinquenta e seis reais não é mixaria. É um preço muito alto para que se preste um serviço que não é digno nem de porcos num matadouro.

(Nota: nos matadouros legais e dentro de altos padrões de qualidade, os porcos são tratados com o mínimo de ruídos e violência para não afetar a qualidade da carne. Ou seja, durante sua sessão de morte não tem ninguém comentando ou servindo ração de má qualidade)

Daí eu volto à questão da administração pública… Se na administração privada já vivenciamos este tipo de incompetência, como poderíamos esperar do governo – tido como ineficiente e burocrático desde sempre na história desse país – venha a surpreender de forma positiva? E como esperamos atender bem os estrangeiros se a própria espécie é tratada com descaso num mero cinema, quiçá num atendimento médico ou emergencial…

Que Deus tenha piedade de nós!

… Opa! Mas eu sou ateu! Aí ferrou!

PS: ao menos o filme foi bom.

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