Copa de elite

Copa de elite (2014)
roteiro: Vitor Brandt, Pedro Aguilera
direção: Vitor Brandt
2 out of 5 stars

(crítica publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 17/04/2014)

Dirigido por Vítor Brandt, diretor da série de TV Vida de Estagiário, exibida pela Warner, esta comédia faz paródia com uma série de filmes nacionais, entre eles: Tropa de elite, Bruna surfistinha, Dois filhos de Francisco, Se eu fosse você, Nosso lar, Minha mãe é uma peça, De pernas para o ar.

O filme conta a história do capitão do BOP Jorge Capitão (Marcos Veras), que passa de herói nacional a inimigo público número 1 após salvar o maior craque argentino de um sequestro, às vésperas da Copa. Enquanto amarga a decepção por ter sido expulso da corporação e execrado pelo povo – passou a ser chamado de “argentino cuzão” – fica sabendo por Bruno de Luca (ele mesmo) sobre a existência de um plano para assassinar o papa durante a final da Copa. Para evitar o atentado, precisa reaprender a trabalhar em equipe e é auxiliado pela proprietária de um sex shop, Bia Alpinistinha (Julia Rabello); dois soldados, caricaturas de Matias e Neto; um médium (Bento Ribeiro); além de sua mãe (Alexandre Frota).

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Impossível não pensar no personagem de Leslie Nielsen, Frank Drebin, no primeiro Corra que a polícia vem aí, tentando salvar a rainha da Inglaterra. Mas a semelhança acaba aí, pois a qualidade do humor escrachado desse filme está anos-luz à frente de Copa de elite, assim como o carisma tanto do protagonista quanto do ator que o interpreta. Os personagens secundários, quase conseguem ser tão marcantes quanto ao batalhão de Drebin, com destaque para Julia Rabello e Rafinha Bastos. “Haters gona hate”, lógico. Mas, se o espectador não tiver birra contra ele, poderá se divertir bastante toda vez que seu personagem, René Rodrigues, estiver em cena.

O roteiro non-sense consegue amarrar bem todas as referências aos filmes parodiados. Mesmo quem não assistiu, entende as piadas. Logicamente que, conhecer ou ter assistido a esses filmes potencializa o efeito, apesar de não causar gargalhadas desbragadas. Em termos técnicos, o filme não deixa a deixa a desejar em relação a comédias americanas. Até mesmo os efeitos especiais conseguem não fazer (muito) feio.

Talvez o filme seja um bom indício de uma aproximação entre a produção “youtuber” e o cinema, uma tentativa de colocar num formato mais extenso o humor rápido e conciso dos esquetes de canais como o “Porta dos fundos”. Mas ainda há muito chão pela frente até conseguir arrancar gargalhadas do público com a mesma eficiência dos vídeos da internet.

(Um parênteses: na cabine de imprensa, o único momento que fez a plateia rir para valer foi uma brincadeira com uma estatueta do Oscar “disfarçada” de Kikito. No restante do tempo, apenas uma ou outra risada esparsa.)

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