A busca

A busca (2012)
roteiro: Luciano Moura, Elena Soarez
direção: Luciano Moura
3 out of 5 stars

O casal de médicos Theo Gadelha (Wagner Moura) e Branca (Mariana Lima) está se separando, por vontade dela. Enquanto passa por essa situação indesejada, Theo precisa encarar a morte iminente de seu mentor (Germano Haiut). Ele, obcecado por organização, vê-se perdendo o controle de tudo, sem saber como agir com a (ex) esposa e sem conseguir se entender com o filho adolescente, Pedro (Brás Antunes). Para piorar tudo, Pedro some às vésperas de completar 15 anos. Theo parte, então, numa jornada em busca do filho – e, por que não dizer, de si mesmo.

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Por mais que seja difícil desassociar a figura do Capitão Nascimento de Wagner Moura, o ator tem conseguido convencer o espectador de que ele não é membro do BOPE, esforçando-se para selecionar personagens bastante diversos. E neste, mais uma vez, Moura entrega uma atuação praticamente impecável, suportando bem o peso de carregar o filme nas costas praticamente sozinho. Sim, pois, apesar das boas atuações de Mariana Lima, Brás Antunes e Lima Duarte, suas participações são breves se comparadas ao tempo em cena de Moura – assim como são ligeiras os encontros com os mais diversos personagens ao longo da jornada.

Apesar da narrativa simples, quase óbvia em alguns trechos – note-se que sempre que a trilha de migalhas de pão termina, Theo encontra mais uma pista, mesmo que enigmática, sobre o paradeiro de Pedro – o desenvolvimento do personagem é cuidadosamente abordado. À medida que Theo avança, cada vez tem menos controle sobre as situações. O “acaso” passa a determinar seus passos seguintes, desconstruindo o personagem. Interessante notar que à medida que o personagem sofre os percalços e vai se “desfazendo”, perdido não apenas geograficamente, mas tendo perdido coisas pelo caminho – paletó, celular, carro – ele vai se “reconstruindo” como pessoa.

A trama segue num ritmo crescente, por alguns momentos até frenético, enquanto Theo não sabe exatamente do que se trata esse sumiço, ou melhor, fuga, do filho, para onde Pedro está indo e por quê. Nesse ponto, ao se ver destituído de sua principal característica, o personagem se encontra. E ao se encontrar, consegue a tranquilidade necessária para prosseguir a jornada.

Há algumas falhas, alguns furos de roteiro, algumas liberdades poéticas excessivas, mas nada que desabone ou tire o prazer de acompanhar a história. Como primeiro longa de Luciano Moura é uma boa estreia que tem a capacidade de conquistar o espectador e faz valer o valor do ingresso.