#319 – Interstellar

Interstellar (2014) – Interestelar
roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan
direção: Christopher Nolan

 
 
 
 

Após ver a Terra consumindo boa parte de suas reservas naturais, um grupo de astronautas recebe a missão de verificar possíveis planetas para receberem a população mundial, possibilitando a continuação da espécie. Cooper (Matthew McConaughey) é chamado para liderar o grupo e aceita a missão sabendo que pode nunca mais ver os filhos. Ao lado de Brand (Anne Hathaway), Jenkins (Marlon Sanders) e Doyle (Wes Bentley), ele seguirá em busca de uma nova casa. Com o passar dos anos, sua filha Murph (Mackenzie Foy e Jessica Chastain) investirá numa própria jornada para também tentar salvar a população do planeta.
(fonte: adorocinema.com)


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Mais ou menos um ano depois do lançamento do filme, finalmente parei para assisti-lo. À época da estreia, estava bastante animada para vê-lo, mas aos poucos, essa vontade foi se esvaindo à medida que fui ouvindo opiniões e lendo resenhas de pessoas com conhecimento de cinema e gosto similares aos meus. Uma palavra – “decepcionante” – poderia resumir a maioria desses comentários. Por conta disso, foi com ‘um pé atrás’ que comecei a assistir.

O primeiro ato do filme é uma prova de paciência. Há muito que meia hora não demorava tanto tempo a passar – nem mesmo 30 minutos correndo na esteira, sem ouvir música, pareceriam tão longos. Até o primeiro ponto de virada, que é quando finalmente começa a acontecer alguma coisa no filme, fiquei me questionando o que a maior parte do público e da crítica tinha achado de tão sensacional nele. Péssimos diálogos, longos e expositivos demais. Personagens bidimensionais, quando não unidimensionais, com exceção de Cooper. A coincidência forçada que leva Cooper e Murphy até a Nasa. Sem contar a miscelânea de temas que o roteiro vai abordando en passant. Enfim, poucas qualidades, muitos defeitos.

Felizmente, o segundo ato redime Nolan. Um dos defeitos é ser muito longo. Ok, o tempo é quase um personagem da trama, mas não era necessário exagerar no ritmo lento da narrativa. As conversas entre os personagens são esclarecedoras o bastante para fazer o público entender o conceito de relatividade – a diferença entre a passagem do tempo na Terra e no espaço. Quando finalmente os personagens partem em sua jornada, visitando planetas com condições de sobrevivência similares à Terra, mas, ao mesmo tempo, bastante diversos. E, neste ponto, o roteiro é bastante eficiente. Outro defeito é a insistência de Nolan em utilizar quadros fechados mesmo quando a cena demanda tomadas mais abertas, problema recorrente do diretor, que tenta, dessa forma, ocultar sua evidente incapacidade de estruturar a ação em planos mais abertos (vide “A 20-Minute Explanation of Why the Dark Knight Chase Scene Sucks, Even If You Liked It“). Essa insistência atrapalha um pouco, mas não chega a estragar o 2º ato que, por si só, valeria o filme.

Aliás, o filme seria muito melhor se terminasse no segundo ponto de virada, ao invés de continuar e mergulhar o espectador num terceiro ato desastroso. As respostas para as questões da trama são tão deus ex machina que a vontade é parar de assistir. Por mais que faça sentido (fisica e quanticamente falando) o cenário em que o personagem de McConaughey é jogado, qualquer vínculo com a realidade se perde no mar de explicações implausíveis e preguiçosas.

Ótima premissa desperdiçada. Decepcionante.

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