Up

Up (2009)
roteiro e direção: Pete Docter, Bob Peterson
4 out of 5 stars

É incrível a capacidade da Pixar de se superar a cada novo projeto. Assisti Wall-E (várias vezes) acreditando que nada melhor em termos de animação poderia ser feito. E então lançam Up, contando a estória de um velhinho vendedor de balões com quase 80 anos, e mais uma vez superam todas as expectativas.

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Como sempre as referências são inúmeras. Desde a aparência de Carl e Muntz, claramente desenhados pensando em Spencer Tracy e Kirk Douglas, respectivamente; até elementos de uma estória de Conan Doyle, “O mundo perdido”, sobre um explorador que é denunciado por fraude após exibir um esqueleto supostamente pertencente a um pterodáctilo.

Apesar das qualidades técnicas do filme, dos pequenos detalhes da animação que fazem todo o diferencial (p.ex., a barba de Carl, que vai crescendo no decorrer do filme), é sempre bom perceber que o foco da Pixar continua sendo a estória. Apesar de simplista e algumas vezes previsível (como vários clássicos Disney), o filme alterna facilmente entre o riso e o choro, emocionando a platéia com as lembranças de Carl e em seguida fazendo-a explodir de rir com uma gag visual. É esse contraponto que fisga o espectador desde o início. Aliás, o início é um detalhe à parte.

Aplicando lições de cinema como nenhum outro estúdio de animação (lembrei de Orson Welles e algumas sequências clássicas em Citizen Kane e Touch of Evil), a introdução do filme conta a estória de Carl e Ellie quase sem nenhum diálogo. E quando a sequência termina, o espectador já foi conquistado pelo lirismo da narrativa e conhece as motivações do personagem. Sensacional.

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