Inglourious basterds

meteorologia: parece outuno
pecado da gula: brigadeiro
teor alcoolico: 2 smirnoff ice black
audio: moulin rouge ost

Inglourious basterds, direção Quentin Tarantino

Certamente não é o melhor filme de Tarantino. Pulp Fiction e Kill Bill são muito melhores, tanto em roteiro, quanto em estrutura narrativa. A construção em capítulos, como Kill Bill, não chega a fazer sentido, não agrega nada à estória. Não faria a menor diferença se o filme seguisse sem esse particionamento. Alguns elementos são dispensáveis, como alguns flashbacks explicativos totalmente desnecessários, e a participação do narrador (apesar do vozeirão de Samuel L.Jackson) chega a ser cansativa em alguns momentos.
Como em todos os filmes de Tarantino, o amor ao cinema – citações e homenagens que fazem a diversão dos cinéfilos – e os diálogos afiados não deixam de estar presentes. Uma contenda verbal (e psicológica) entre o personagem de Christoph Waltz (coronel Hans Landa) e o de Denis Menochet (Pierre LaPaditte) inicia o filme de forma primorosa. Um legítimo jogo de gato e rato, em que o tom cortês com que o coronel expõe suas idéias deixa entrever apenas sutilmente a perversidade de sua natureza maquiavélica. O modo como “manobra” o fazendeiro com suas palavras é quase encantador se não fosse nefasto. Mas aparentemente enlevado com a sagacidade de seus diálogos, Tarantino erra um pouco a mão e exagera na dose em diversas cenas – como naquela do bar no subsolo.
Ótimas locações, fotografia belíssima e alguns enquadramentos já característicos do diretor – o contra-plongé, o close em pés femininos, os travellings circulares – garantem a imersão do espectador no cenário, mas não na estória. Esta, entrecortada pelas intervenções do narrador, por letreiros explicativos (totalmente desnecessários em sua maioria), pela divisão em capítulos, não consegue envolver a platéia.
O destaque no elenco fica, claro, para Christoph Waltz, que simplesmente rouba todas as cenas das quais participa. Sua presença em cena é simplesmente hipnotizante. Não foi à toa que ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante. Até Brad Pitt consegue agradar, apesar de seu personagem (tenente Aldo Raine) ser bastante caricato.
Não é uma obra-prima, mas com certeza vale ser assistido. Recomendo.

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