The hurt locker

meteorologia: friozinho chegando
pecado da gula: churrasco
teor alcoolico: várias caipirinhas, várias cervejas
audio: losties #10
video: the prestige



The hurt locker, direção Kathryn Bigelow

Mais um exemplo da excelente indústria brasileira de tradução de títulos de filmes. Porém neste caso, não se pode culpar a distribuidora. Apesar de “Guerra ao terror” não ter absolutamente nada a ver com o título original, qualquer tradução ficaria insatisfatória. Do pouco que sei, “to put someone in the hurt locker” significa infligir dor física ou mental a alguém. Não sei se é exatamente esse o significado do título, se foi essa a idéia do roteirista (ou da diretora) ao nomear o filme, apesar de fazer sentido, mas não consegui encontrar qualquer expressão que se aproximasse. Também aventei a possibilidade que o título pudesse ser traduzido como um “armário da dor”, ou algo similar, referindo-se à roupa de proteção utilizada pelos especialistas no desarmamento de bombas. Igualmente difícil de traduzir num título.
Assim como há livros que só chegam às prateleiras das livrarias depois de o autor arrebanhar algum prêmio importante, há filmes que só são lançados no cinema depois de premiados. É o caso deste. Lançado diretamente no mercado de home vídeo, só chegou às telonas após receber o Oscar de melhor filme, e melhor direção.
Indicação e premiação mais do que merecida, pois o filme é simplesmente genial. Ok, ok, just kidding! Sei de alguém que acabou de me xingar ao ler a frase anterior. Não estou dizendo que o filme não é bom, absolutamente não é isso. O filme é bom, eu gostei, mas acho que foi superestimado. Não acho que vale o Oscar, muito menos toda a “babação de ovo” ao redor dele, presente na maioria das resenhas e críticas que li.
Esteticamente, o filme fica acima da média. Fotografia primorosa, enquadramentos e ângulos cuidadosamente escolhidos dão sempre a impressão de serem a visão de algum dos personagens. O estilo de filmagem, do tipo “câmera na mão”, acrescenta o tom documental que dá a credibilidade necessária às cenas, inserindo o espectador na estória de modo por vezes inusitado.
O personagen central, sargento William James, é interpretado com competência por Jeremy Renner (lembrava dele no mediano S.W.A.T.). A atuação não é excepcional, mas Renner consegue dar a esse personagem tridimensional, a complexidade suficiente a fazê-lo crível e não uma caricatura, um estereótipo de um soldado movido por adrenalina, um soldado-cowboy.
Cansou-me um pouco o ritmo lento do filme, principalmente na cena do embate entre os snipers. Mas provavelmente tenha sido proposital. Talvez a intenção da diretora foi dar ao espectador a mesma sensação dos soldados, esperando sobreviver aos dias que faltam para o rodízio de volta para casa. Dias que custam demais a passar.
No meu entender, é apenas mais um filme de guerra. Um bom filme de guerra. Talvez seja o melhor feito sobre o conflito no Iraque. Mas possivelmente toda essa comoção da mídia americana seja apenas uma tentativa de mostrar que a opinião pública não concorda com o conflito. O filme não é isso tudo que querem nos fazer crer. É bom. Vale assistir. Mas não é genial, nem chega perto de ser genial. Outro ganhador do Oscar que, na minha opinião, não merecia a estatueta.

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