“There is no playbook…”

Black Mirror (2012)
Endemol – Channel 4
roteiro: Charlie Brooker

São Pedro praticamente não me deixou outra alternativa a não ser passar a tarde toda enfurnada em casa. E, já que ele deu a entender que a chuva não iria parar tão cedo e eu teria de ficar em casa, resolvi fazer uma mini-maratona de uma série de tv que eu não conhecia – dica do @ivan_pd.

As poucas informações que eu tinha sobre a série:
1) É inglesa
2) É de sci-fi
3) Tem apenas três episódios
4) Cada episódio tem uma estória “fechada”

black-mirror

Séries inglesas costumam ser boas. Não só boas mas, em boa parte dos casos, com qualidade bem acima da média. E qualidade como um todo – produção, roteiro, elenco, direção. Vide o exemplo recente de Sherlock (post aqui), assim como Life on Mars (a original) e Doctor Who. E essa não fugiu à regra.

Sci-fi é um estilo que eu gosto muito. Tanto na literatura, quanto no cinema e na tv. Ou seja, uma série de sci-fi sempre merece ser vista. Mesmo que seja para ser descartada da lista de séries a ser acompanhada assiduamente. Numa das curtas sinopses que li, afirmava-se que a série é uma mistura de Tales of the Unexpected e Twilight Zone. E isso já atiçou minha curiosidade, pois sempre gostei muito de Twilight Zone.

Não ser muito longa foi um estímulo a assisti-la nessa tarde chuvosa de domingo. Difícil não fazer referência a Sherlock, mas há algumas diferenças entre elas. Os episódios de Black Mirror não são tão longos quanto os de Sherlock – têm por volta de 1h de duração. E não há personagens em comum entre os episódios.

     

Cada episódio é uma estória independente. Não é como Fringe, que tem um núcleo de personagens enfrentando o monster of the week – assim como era também X-Files. São narrativas totalmente independentes. Em comum, apenas o estilo sci-fi e a abordagem de temas relacionados à modernidade: a explosão das redes sociais (no 1o.), a massificação e a virtualização do modo de vida (no 2o.), a utilização de um dispositivo de armazenamento de memória (no 3o.).

A ousadia na abordagem dos temas e a opção por não “mastigar” as explicações para o espectador são o principal atrativo. Eu, particularmente, detesto filmes, livros, séries de tv (ou qualquer outra mídia) com muitas explicações. O mais divertido, ao menos para mim, é poder tirar minhas próprias conclusões. Mesmo que, eventualmente, elas não estejam muito corretas. Deixar espaço para que a inteligência do leitor e/ou espectador seja solicitada é sempre um atrativo. Sei que há pessoas que gostam de desligar o cérebro e ser tratadas como “dummies” – note-se a audiência de mais um BBB – mas este não é o meu caso. Lógico que, vez ou outra, é relaxante assistir algo que não demande (muito) do nosso raciocínio. Mas eu, sinceramente, prefiro que o meu seja desafiado sempre que possível. E esta série tem muito disso. Vários detalhes não são explicados para o público. Não há aquele clássico truque de roteiro de utilizar um novato, estagiário ou similar, a quem tudo deva ser explanado. O fato está lá, aconteceu e pronto. Ninguém, nenhum personagem vai parar para justificar ou dar uma explicação. E isso torna a série dinâmica, além de bastante instigante.

Inteligente, satírica na medida certa, enfim… Quando começa a segunda temporada?!
Para saber mais, acesse Channel 4 – sinopse dos episódios.