The wave

The wave (1981) – A onda
roteiro: Ron Jones, Johnny Dawkins
direção: Alexander Grasshoff
4 out of 5 stars

Strength through discipline,
strength through community,
strength through action!

the-wave

Assisti a este filme nos meus tempos de colégio – numa Sessão da Tarde – e foi um daqueles filmes que ficaram marcados na memória. Depois de alguns anos, não conseguia lembrar os detalhes, mas a essência da estória e algumas cenas mais marcantes não são esquecidas. Sempre que pensava nele, vinha-me à mente – ainda vem – a cena final (não vou dar spoilers, fiquem tranquilos). Descobri, posteriormente, que foi um filme feito para TV. Revi-o há pouco tempo e não me recordava de boa parte da estória. Apesar de antigo, quase datado, aborda um tema ainda extremamente atual. É desconfortável pensar que foi baseado numa estória real ocorrida na Califórnia em 1967 – uma experiência chamada “The Third Wave”, conduzida pelo professor Ron Jones.

Ben Ross (Bruce Davidson) é professor de História numa escola de 2o.grau. Numa das aulas, após a exibição de algumas imagens do período nazista, explica a seus alunos a atmosfera da Alemanha nos anos 30, a gênese e ascensão do nazismo. Vê-se questionado por seus alunos sobre o que teria levado os alemães a agirem daquele modo, corroborando e colaborando com aquele regime autoritário, despótico e preconceituoso. Resolve então, exemplificar isso na prática. Nas aulas seguintes, sem qualquer aviso, passa a incutir nos alunos o gosto pela disciplina, pela ordem, pelo grupo através do uso de slogans, palavras de ordem e gestual próprio. E ele se surpreende com a resposta dos alunos à sua autoridade em sala, obedecendo cegamente aos mandamentos preconizados por ele mesmo. O professor declara-se líder de um movimento chamado “A onda”, que prioriza o poder do grupo sobre os indivíduos. A coisa toda foge de seu controle quando praticamente toda a escola passa a aderir ao movimento. Os que se recusam são discriminados e, por vezes, agredidos verbalmente e/ou fisicamente. Ross é trazido de volta à razão por dois alunos e a narrativa culmina com a cena final citada acima – não, eu não vou contar.

Tecnicamente, o filme não tem nada de excepcional. Mas o que importa mesmo é a estória. É o tipo de filme que nos deixa pensativos durante um bom tempo depois de terminar de assistir. Vale a pena.
(Há também uma versão de 2008, alemã, a que ainda não assisti).

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