Drops duplo

meteorologia: finalmente a chuva parou
pecado da gula: arroz, muito arroz
teor alcoolico: 1 stella artois
audio: contra relógio no ar #55
video: roland garros

Totalmente sem qualquer intenção, acabei assistindo a dois filmes com temáticas totalmente diferentes mas com um detalhe em comum. Em ambos, os protagonistas são adolescentes obrigados a se virarem sozinhos – sem os pais – por motivos diversos. E, em ambos, “se virar sozinho” significa cuidar de si próprio, da casa onde mora e ainda simular a presença de um (ou mais) adulto(s) responsável(is) por eles. E a semelhança termina aí. Os filmes são bem diferentes na concepção, na qualidade do roteiro, na atuação dos protagonistas, enfim, no resultado como um todo. Enquanto um é aterrorizante, o outro é simplesmente assistível.

The little girl who lives down the lane – 1976
(A garota do fim da rua)
Direção: Nicolas Gessner
Roteiro: Laird Koenig

Protagonizado por Jodie Foster do alto de seus 14 anos de idade – apenas um ano mais velha que sua personagem, Rynn Jacobs – é um thriller bastante bem sucedido. Interessante perceber que Foster, nessa idade, já tinha talento suficiente para segurar um filme, sem que em qualquer momento seja necessário desculpar alguma falha de atuação devido à sua pouca idade.
Rynn vive sozinha na casa do pai, numa cidadezinha do interior. Sempre que algum intrometido quer saber do pai, ela faz uso de uma das várias desculpas possíveis – ele está dormindo, ele está trabalhando e não quer ser incomodado, ele está em New York com seu editor. Apesar de este ser um detalhe que mereceria ser descoberto ao mesmo tempo que o personagem de Scott Jacoby, Mario, o único amigo de Rynn, todas as sinopses praticamente entregam o fato de que ele, o pai, está morto. Complementando o clima assustador, temos Martin Sheen como Frank Hallet, “o” pervertido da cidade, numa atuação que deixa o espectador com náuseas ao ver um personagem tão asqueroso.

Saint Ralph – 2004
(Em Busca de um Milagre)
Direção e roteiro: Michael McGowan

Ralph Walker (Adam Butcher) é um garoto de 14 anos que mora sozinho na casa dos pais. O pai morreu na guerra e a mãe está hospitalizada, em coma. Finge, para os outros, que os avós estão se ocupando dele. Com os hormônios em ebulição, é presença constante na sala do reitor do colégio católico em que estuda. Ao ser inscrito (como punição) no time de cross-country da escola, descobre seu talento para corrida. Resolve então que vai correr – e ganhar – a maratona de Boston, enxergando nisso a possibilidade de conseguir um milagre a fim de fazer sua mãe despertar do coma. Oscilando entre o drama e a comédia, é um filme morno. Apesar da temática de corrida – que foi o que me fez assisti-lo – fiquei entediada devido à falta de criatividade do roteiro e à previsibilidade da estória. E a falta de carisma do protagonista também não ajuda.
Certamente não era este o intuito do diretor, mas o filme não consegue ser eficaz nem como filme motivacional. Nesse quesito, “Children of heaven” (que também não foi feito com essa intenção) é muito mais eficiente.

 

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