Prometheus

meteorologia: domingo ensolarado
pecado da gula: pão de queijo
teor alcoolico: 1 weihenstephaner
audio: radiofobia #89
video: the commitments

Prometheus – 2012
Roteiro: John Spaihts, Damon Lindelof
Direção: Ridley Scott

“A história começa em 2089 com um casal de arqueólogos iniciando uma expedição trilionária para confirmar sua teoria de que a raça humana é descendente de extraterrestres. Segundo a teoria, os “engenheiros” (como são chamados nossos criadores) deixaram, espalhadas pelo planeta, pinturas rupestres em cavernas ermas, nas quais foi possível decifrar uma especie de convite dos criadores a uma constelação distante da Terra. Tal fato impulsiona a criação da expedição intergaláctica nomeada Prometheus, que tem o objetivo de pesquisar o surgimento da raça humana. Após quatro anos em estado de hibernação, a nave chega ao seu destino e as expedições exploratórias se iniciam, mas obviamente não vão como o planejado.”
(fonte: Jornal do Brasil – Cultura)

Um dos filmes mais esperados de 2012, “Prometheus” simplesmente não cumpre o que promete (com o perdão do trocadilho). Depois de 3 filmes excelentes logo no início da carreira – “The Duellists”, “Alien” e “Blade Runner” – Ridley Scott parece, desde então, alternar entre vários filmes ruins e um ou outro filme bom. Bom, mas não excelente como os citados, o que por vezes me deixa com a impressão de que ele involuiu e, ao contrário de um bom vinho, não está ficando melhor com o passar dos anos. Lógico que o fato de o filme ser um prequel de “Alien”, dirigido pelo mesmo diretor, elevou as expectativas às alturas. Acredito que a maioria dos espectadores foi ao cinema com a convicção de que assistiria a algo no mínimo tão bom, ou melhor, tão excepcionalmente bom quanto “Alien”. E me incluo nisso, já que esse é um dos meus filmes de monstro prediletos. Aguardava pela “verdadeira estória do space jockey” como criança esperando o lançamento de um Danoninho de chocolate versão extra-grande.

É inegável que essa expectativa tem uma parcela grande de responsabilidade na decepção com o filme. Contudo, mesmo abstraindo-se isso o filme não se sustenta, com um roteiro quase sempre previsível, cheio de falhas e inconsistências, várias imprecisões, muitas questões não respondidas, diálogos fracos e superficiais, personagens bidimensionais. Chegar à conclusão de que David (Michael Fassbender), o andróide, é o melhor personagem – por ser o mais complexo, o mais bem construído (mérito do ator também) e, “pasmem”, o menos caricato – não é algo que deponha a favor do roteiro. Apesar de o final de “Lost” ter sido, para ser educada, decepcionante, Lindelof havia demonstrado bastante talento nos episódios das duas primeiras temporadas. E, mesmo que o roteiro não estivesse assim tão bom, um bom diretor reverteria isso durante a filmagem, o que também não ocorreu.

Acho que é bastante perceptível que eu não gostei do filme. Não foi apenas a expectativa não cumprida. Se o filme não tivesse contado a estória do space jockey porém se sustentasse como narrativa, eu possivelmente teria curtido. Se o filme fosse um spin-off, ao invés de um prequel, mas tivesse um roteiro coeso e personagens bem construídos, eu possivelmente teria curtido. Sei que muita gente gostou. Não vou afirmar que estejam erradas, afinal, opinião é pessoal e eu faço questão de respeitar. Mas não preciso concordar. O trecho abaixo, lido aqui no ConversaCult, analisa com precisão a divergência entre os espectadores:

Para “Prometheus” há dois tipos de pessoas: aquelas que são viciadas nos filmes de Alien, em ficção científica e já tem um contexto; e aquelas que praticamente caem de paraquedas no filme (oi). Para o primeiro grupo, acho que a melhor dica que eu posso dar é não ficar esperando um novo Alien. Para o outro, você não precisa ter assistido nada para gostar do filme.

Não chego a ser viciada nos filmes de Alien, mas sou cinéfila e, sinceramente, esperava algo melhor. Porém seria injusto não comentar os (poucos) aspectos positivos do filme. Não há como negar que, sob o aspecto técnico, o resultado do filme é muito bom.

Para a satisfação de quem foi (ou vai) assistir ao filme em 3D, Scott é um diretor que sabe como utilizar este recurso a favor da estória. E, lógico, há a vantagem logo de saída com o fato de ter sido filmado em 3D e não convertido como muitos em cartaz. Não assisti em 3D, não posso opiniar, mas não li nem ouvi reclamações a respeito.

A trilha sonora remete bastante a “Alien”. Não chega a ser excepcional, inesquecível, mas é boa o suficiente para não atrapalhar a imersão no filme.

A ambientação, a direção de arte, os cenários, os figurinos também não fazem feio. Paisagens de cair o queixo na sequência inicial, algumas tão belas e surreais que parecem saídas do Photoshop. Mas alcançam o objetivo de ao mesmo tempo demonstrar a grandiosidade e a força da natureza e plantar uma questão na cabeça do público, que se pergunta se aquele local é mesmo a Terra. A direção de arte consegue reviver o ambiente de “Alien”, sem reconstruí-lo literalmente, acredito que mais como uma maneira de homenagear o predecessor do que pela “preguiça” da cópia pura e simples. Os figurinos diferem um pouco, principalmente os trajes de sobrevivência, que se apresentam bastante funcionais, apesar de darem a impressão de não serem muito práticos para vestir.

Os efeitos especiais são realmente muitos bons, principalmente a sequência em que o engenheiro supostamente dá origem à espécie humana. E, mesmo que eu não tenha gostado muito da aparência dos engenheiros, a computação gráfica lhes dá vida deixando-os (quase) verossímeis.

E, por fim, aquele que praticamente carrega o filme: Michael Fassbender, personificando o andróide David, como sempre numa atuação acima da média – apesar de seu personagem “perder a noção” em alguns momentos. Fassbender deu ao personagem a ambiguidade e a frieza necessárias, criando um personagem bem mais complexo e com mais empatia com o público que seus colegas “humanos”. A capitã Meredith Vickers (Charlize Theron), representante da Weyland Corp., poderia facilmente ser cortada ou substituída por um avatar digital, tamanha sua falta de importância na trama. O casal de cientistas, Elizabeth Shaw e Charlie Holloway (Noomi Rapace e Logan Marshall-Green, clone do Tom Hardy), estão apenas corretos em suas atuações, medíocres no sentido literal do termo. Tentaram, mas Shaw não chega aos pés de Ripley. E os demais tripulantes, parafraseando Pablo Villaça, poderiam vestir camisetas indicando o papel de cada um deles.

A estória que, no início do filme, dá a entender que vai pender para questões de cunho filosófico, de ideias e ideais, ao invés de um suspense com cenas de ação, não consegue fazer nem uma coisa nem outra. E pior, degringola do meio para o final, numa sucessão de cenas sem sentido, deixando vários dos questionamentos sem resposta – na verdade, alguns nem devem ter resposta já que em vários momentos os roteiristas não pareciam saber o que estavam questionando.

O post já está gigante e achei melhor não incluir a lista de falhas, furos, inconsistências e, por que não dizer, idiotices do roteiro. Para quem tiver interesse, está aqui.

Enfim, aproveitando a “divisão” do ConversaCult, vale o ingresso para o segundo grupo. Para o primeiro, assista por sua conta e risco, sabendo que suas expectativas não conseguirão ser preenchidas.

One comment

  1. Tinham em mãos uma ótima estória que se perdeu no enredo do filme. O filme se resumiu em vários diálogos vazios que não definem nada e tornam-se indispensáveis para a trama. A melhor cena fica por conta da introdução “aff” (cena do alienígena na cachoeira). Resumindo; o filme é uma ponte nítida entre a origem de Alien (sim aquele Alien) e um segundo filme para responder todas as perguntas sem resposta deste filme. E por falar em perguntas. Fala-se tanto em engenheiros/arquitetos/criadores que de criadores não tem nada. Estes não passam de antepassados de onde ORIGINOU-SE a espécie humana acompanhando toda a teoria de Darwin como a conhecemos. E pra fechar ‘bunitu’; temos tantos ‘X’ em xeque que poderíamos nos abstrair da ambição e curiosidade e aplicar um simples “qual o sentido da vida” e o pessoal me lança um “como não morrer de velhice” ou “porque criar e destruir a raça humana”. Essa é a sétima arte hahaha

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