“Come find me when you wake up!”

Edge of tomorrow (2014) – No limite do amanhã
roteiro: Christopher McQuarrie, Jez Butterworth, John-Henry Butterworth
direção: Doug Liman


(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 28/05/2014)

A terra foi invadida por alienígenas, os Mimics, que até o momento estão levando a melhor. O Tenente-Coronel Bill Cage (Tom Cruise), assessor de imprensa do Exército, vê-se obrigado a juntar-se às Forças Armadas e ir para o front às vésperas de uma batalha decisiva. Sem saber o motivo, fica preso no tempo, acordando no quartel a cada vez que é morto em combate. Num de seus replays, conhece Rita Vrataski (Emily Blunt), agente das Forças Especiais famosa por sua participação decisiva na batalha anterior, tendo exterminado uma grande quantidade de aliens. E, a cada ‘reboot’, Cage acumula mais informações que o auxiliam a entender o que está acontecendo.

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O roteiro foi baseado no livro All you need is kill, de Hiroshi Sakurazaka, sem tradução no Brasil (ainda). Apesar disso, é impossível não pensar em outras produções em que o protagonista revive o mesmo dia ou algo semelhante. Groundhog day é a lembrança mais óbvia, em que Phil (Bill Murray) acorda todos os dias no Dia da Marmota. Outra lembrança mais recente – e também mais similar em termos narrativos – é Source Code, em que Colter Stevens (Jack Gyllenhaal), acorda no corpo de um desconhecido e é obrigado a (re)viver os minutos que antecedem a um acidente de trem causado por uma explosão, até que consiga localizar o autor do atentado.

all you need is killEnquanto em Groundhog Day, a repetição apenas acontece, sem qualquer preocupação em elucidar como ocorre e com uma motivação que pende para o aspecto sentimental. Em Source Code, a motivação é explicitada logo nos primeiros minutos, e ao final é explicado como ocorre. Sob esse aspecto, No Limite do Amanhã é muito semelhante. Em outros aspectos também, como não poderia deixar de ser, já que o fio condutor é similar. A cada restart, Cage aprende mais detalhes, consegue ir mais longe em suas incursões no campo de batalha, até que numa delas, ao contar a Rita sobre sua situação, ela lhe diz: “Come find me when you wake up!”. E assim, ao encontrar Rita e Dr. Carter (Noah Taylor) pela manhã, finalmente descobre como e por que o dia reboota a cada vez que ele morre.

Apesar da ideia já batida, o roteiro consegue segurar a onda e manter o ritmo do filme. Quando começa a ficar repetitivo e o público comeca a achar que vai ser apenas mais do mesmo, um novo elemento é adicionado à trama ou momentos de humor inevitáveis causados pela repetição dos dias dão aquele “respiro” merecido ao espectador. Felizmente, os roteiristas não erraram a mão e dosaram bem essas intervenções cômicas, em que o principal alvo é o superior de Cage, Sargento Farell (Bill Paxton). O ritmo da narrativa se mantém, apesar de uma ou outra “barriga”, e consegue, auxiliada por uma boa montagem, manter a atenção do espectador do início ao fim.

O elenco está ok, nenhuma performance extraordinária, mas todos bem entrosados e bem convincentes. Cruise sempre encarnando o bom-moço, desta vez com alguns mínimos deslizes de caráter coerentes com um militar acomodado em sua posição longe do front e sua capacidade nula de combate. Blunt se esforça como a agente ‘mother-fucker’, já que seu porte físico é pouco condizente com sua fama – o exo-esqueleto utilizado pelos soldados justifica em parte suas habilidades, mas não o suficiente. Os demais não se sobressaem, mas também não fazem feio.

Boa fotografia, bons efeitos especiais, 3D dispensável. Enfim, diversão garantida, apesar do final meio Disney demais. Mas depois de aceitar o modo como o tempo estava sendo rebootado, aceitar o ‘happy-end’ não demanda tanto esforço assim.